quinta-feira, junho 17

Análise – Tate no Yuusha no Nariagari – Episódio 01 – O Herói que nós merecemos!

Google+ Pinterest LinkedIn Tumblr +

A temporada de Inverno nos agraciou com animes que podem não se tornar mainstreans, mas com certeza serão os melhores dessa primeira leva de animes de 2019.

The Promised Neverland – um épico de batalhas psicológicas ao estilo Death Note; Dororo – clássico do Osamu Tezuka com uma adaptação digna de elogios; e Tate no Yuusha no Nariagari (The Rising of the Shield Hero, no Inglês) – um isekai que surpreende, e muito, no primeiro episódio. São três animes que trazem a fórmula completa para um anime de sucesso: boa história, personagens cativantes que o público se identifica e gráficos encantadores.

Nessa resenha irei falar especificamente de Tate no Yuusha, o Herói do Escudo. As impressões serão com base somente no anime, que já conta com 5 episódios até o momento. Não leio o mangá, apesar de já ter tomado vários spoilers da série haha.

Tate no Yuusha no Naniagari, ou A Ascensão do Herói do Escudo, originalmente uma Web Novel de Yusagi Aneko, publicada pela Media Factory com ilustrações de Seira Minami. Tendo uma adaptação para mangá e agora para anime pelo estúdio Kinema Citrus.

Vale lembrar que a partir desse ponto teremos spoilers do primeiro episódio do anime!

SINOPSE

Iwatani Naofumi é invocado para um mundo paralelo pra se tornar um dos quatro heróis lendários (espada, arco, lança e escudo). Ele é nomeado o Herói do Escudo. Começando com uma popularidade baixa e rotulado como o mais fraco, Naofumi se encontra traído no seu terceiro dia naquele mundo. Tendo perdido a fé nas pessoas e quase todo seu dinheiro, tudo o que sobrou é o escudo lendário que recebeu. Jurando se vingar de quem o havia traído e não confiar em mais ninguém ele decide comprar uma pequena escrava arredia e traumatizada. Juntos eles vão mudar um ao outro. – Fonte – Crunchyroll BR.

Contexto

Logo no inicio do primeiro episódio somos apresentados ao protagonista da série, Iwatani Naofumi, que acaba de acordar de um “sonho” – Naofumi não é o clássico protagonista de anime “badass”, pelo menos não nesse inicio, sendo apenas um otaku que está no segundo ano da faculdade que, de alguma forma bem mal explicada, consegue viver a vida sem trabalhar e continuar com seus hobbies (a inveja começou nesse ponto, aliás).

Apesar de ser clichê, o anime nos apresenta um personagem otaku, forçando uma identificação com o público que assiste, porém Naofumi não se mostra um protagonista de personalidade forçada ou caracterizada e talvez por isso (e por razões que ressaltarei mais a frente) a identificação com o público funcionou com esse personagem.

Iwatani Naofumi no Nichijou.

Ainda nos primeiros minutos vemos Naofumi em sua vida cotidiana, quando subitamente, ao abrir um livro de história na biblioteca, é teletransportado para um mundo de fantasias medieval.

Como não costumo ler nada sobre os animes que vejo na temporada, nem mesmo sinopses, quando Naofumi é jogado para o outro mundo, a primeira coisa que veio na mente foi: “ah, ok. Mais um anime isekai, quero ver agora qual vai ser o diferencial dessa vez”. Não que os animes isekais não sejam bons, mas temos pelo menos um anime por temporada com esse plot, né?

Voltando a história… O livro que Iwatani lê conta a lenda de quatro Heróis Cardinais, que são invocados para salvar o mundo da destruição iminente, seriam esses o Herói da Lança, da Espada, do Arco e do Escudo, onde a história do Herói do Escudo está completamente em branco. Quando o nosso protagonista azarado entra nesse mundo de fantasias, fica sabendo que ele é um dos quatro Heróis Cardinais e ainda por cima o já citado Herói do Escudo.

Somos apresentados aos outros três Heróis: da Lança, Kitamura Motoyasu; da Espada, Amaki Ren; e do Arco, Kawasumi Itsuki. Nesse momento ficamos sabendo os motivos deles terem sido invocados e a missão que teriam que cumprir para voltar aos seus respectivos universos. O mundo ao qual foram convocados está sendo ameaçado por um grande perigo, ondas de demônios que estão levando destruição à Terra e, segundo a lenda desse povo, os únicos capazes de salva-los do aniquilamento seriam os tais Quatro Heróis Cardinais.

Os quatro Heróis Cardinais.

Nesse primeiro momento achei estranho os personagens principais estarem aceitando tão “de boa” essa virada de acontecimentos. Convenhamos, eles aceitaram esse trabalho de heróis muito fácil! Nesse momento somos introduzidos a primeira desvantagem do Naofumi em relação aos outros heróis. Todos eles foram trazidos de mundos diferentes ou podemos dizer dimensões diferentes? Porém, com exceção de Naofumi, os outros três já estavam familiarizados com esse mundo, seja porque jogaram um jogo parecido ou leram sobre esse mundo.

A primeira parte do primeiro episódio traz um clima muito leve e agradável, mas aos poucos começamos a ficar com a pulga atrás da orelha, afinal é dito que na lenda o Herói do Escudo é um imprestável que não entende o mundo, mas as coisas vão indo muito bem para o nosso protagonista nesse inicio.

A história começa verdadeiramente a partir deste ponto, os heróis são informados que precisam se preparar para a próxima onda de ataques e eles teriam que viajar separadamente com sua “party” para evoluir suas habilidades e equipamentos. As desvantagens só aumentam para Naofumi, pois ninguém escolhe o Herói do Escudo como líder e o deixam sozinho para se virar nesse novo mundo. Até que conhecemos Malty, até então uma maga que se oferece para mostrar o mundo ao nosso protagonista e ensina-lo a lutar. O anime apresenta diversos elementos de RPG, mostrando o aumento de nível através de números, diversas skills legais e complexas, o que na minha opinião, deixou o anime ainda mais diferenciado.

Naofumi e Malty, a princesa do reino.

O episódio continua com esse clima alegre, porém o clímax do primeiro episódio chega e é aqui que considero o ponto de virada desse anime – onde aconteceu verdadeiramente a identificação do público pelo seu personagem principal e principalmente a razão por ser um anime isekai diferente dos outros. Naofumi passa o dia com a sua companheira de equipe, Malty, que o ajuda nessa aventura, ensinado-o a lutar, upar e durante esse período a desconfiança começa a aumentar, a maga faz o herói comprar equipamentos caros para ela e os mais baratos ficam com ele. No final do segundo dia ambos vão para uma pousada descansar e para a surpresa de todos (ou não), o protagonista acorda com barulhos estranhos e logo percebe que todos os seus equipamentos haviam sido roubados. Ao sair do quarto Naofumi percebe a falta de sua companheira e é recebido pela guarda real que o prende e o leva para o castelo.

Acho que todos nós estávamos esperando por essa virada, toda a ambientação do anime te leva para esse clima leve, porém com nuances de desconfiança, tanto por parte das ações da Malty ou pelos boatos que circulam. Nosso protagonista é acusado de assédio por sua companheira e em um mundo onde o matriarcado é supremacia, Naofumi se vê em uma posição de completo desespero, traído por todos aqueles a sua volta e sem posição para defesa. Agora não só todos desse novo mundo, mas também os outros três heróis o vêem como um lixo a ser punido.

A virada!

Ainda sim, por ser um dos quatro Heróis Cardinais, Naofumi é obrigado a encarar os perigos dessa aventura sozinho. A partir dessa virada de acontecimentos, vemos um protagonista bem mais “dark”, antipático e que se recusa a confiar em outras pessoas. Tate no Yuusha é uma série que te prende, pois agora queremos ver o protagonista se levantar, mais forte do que nunca, para se vingar daqueles que o desdenharam.

Por ser o Herói do Escudo, a condição por usar esse equipamento lendário seria que ele não poderia utilizar qualquer outro tipo de arma. Terminamos o primeiro episódio com um aperto no coração e vontade de querer ver mais. Naofumi, percebendo que para evoluir, irá precisar de alguém para ser sua espada acaba por comprar uma escrava. Por bem ou por mal nosso protagonista nos mostra um caminho bem diferente para seguir…

Animação e ambientação.

O gráfico desse primeiro episódio é acima da média, não é a qualidade de um estúdio como a Ufotable, mas somos presenteados com uma animação fluida, cenários bonitos e realísticos. Dos mesmos animadores de Barakamon, Black Bullet e Made in Abyss, a Kinema Citrus consegue entregar um ótimo trabalho nesse começo de Tate no Yuusha.

Porém o destaque vai para a direção, Takao Abo não é um diretor muito conhecido, mas consegue contar a história com o nível de tensão perfeito, levando de um clima agradável até o completo desespero convincentemente. Alinhado ao carisma do protagonista, o primeiro episódio consegue fazer seu trabalho de forma eficaz, prendendo seu público para continuar o assistindo.

A vingança que esperamos!

 

9.0 Excelente!

O primeiro episódio de Tate no Yuusha no Nariagari não nos traz uma história original, mas o carisma do protagonista e os acontecimentos que o seguem nos faz querer saber mais e mais da história. Somado a uma boa animação e direção, o Herói do Escudo consegue conquistar se público de forma eficaz. Mas será que conseguirão manter o ótimo trabalho apresentado?

  • 9
  • Nota dos usuários (0 Votes) 0
Compartilhe:

Sobre o autor

22 anos, formado em Propaganda e Marketing. Assistente de Conta em uma Agência de Publicidade. São Paulo - SP. Apreciador da cultura nipônica, além dos animes e mangás tenho vários hobbies como fotografia, escrever e games. PLUS ULTRA!

Deixar uma resposta